Linkin Park - One More Light | Crítica

Grupo sai da zona de conforto e mostra sua faceta pop com elementos tropicais em novo disco

“Que c******s aconteceu com o Linkin Park?” Você deve estar se perguntando. Mas calma, não se desespere. Depois de mudanças radicais já tomadas anteriormente em A Thousand Suns ou em Collision Course, não deveria ser tão estranho ouvir a banda (que ficou famosa por sua raiva e angústia) fazendo música… pop.

Mas sim, não há como escapar. One More Light é um disco pop. Se para os fãs mais antigos isso pode soar como um pesadelo, para quem aceitou bem as mudanças dos últimos álbuns o choque não vai ser tão grande. E, justiça seja feita: é pop do bom! Se aqui a gente não escuta mais os vocais rasgados e carregados de "One Step Closer" (ou qualquer coisa do Hybrid Theory), é interessante ouvir que eles estão “em paz”.

Existe um clima quase tropical e ensolarado em algumas faixas e em dado momento você vai ouvir até um “na na na”, efeitos eletrônicos e programações de bateria dignas de pista de dança. Ouvindo a primeira faixa, "Nobody Can Save Me", há um temor iminente de pensar que o Linkin Park virou uma “boy band”, mas esse receio logo passa e a gente percebe que, apesar da roupagem pop, a essência da banda está lá e as boas sacadas melódicas permanecem intactas.

Onde em alguns artistas pop só existe produção e fachada, aqui existe raciocínio por trás da “casa” eletrônica. E se você imaginar uma guitarra pesada no lugar do teclado, é o Linkin Park de sempre. Eles só estão mais leves, e a leveza reflete no som.
"Sorry For Now" também pode causar um certo estranhamento inicial, mas o refrão é explosivo e traz um dos melhores arranjos vocais de todo o disco. "Talking to Myself" é o resquício de um Linkin Park dos velhos tempos e "Good Goodbye" resgata a agressividade característica da banda. Mas é meio que só. "Halfway Right" e "Battle Symphony" são a cara do novo Linkin Park, cheios de firulas de estúdio em busca de um hit para estourar no rádio.

A intenção de One More Light não fica exatamente clara: será que é apenas um reflexo da idade dos membros da banda? Agora estão na faixa dos 40 anos e querem que os fãs amadureçam junto? Ou será apenas estratégia de mercado? Seja como for, mudanças são sempre bem-vindas, ainda que distanciem a banda do metal alternativo que a consagrou há quase 20 anos.

One More Light tem seus pontos fracos, mas mostra uma coragem de mudar que pouquíssimas bandas têm. É um desafio provocador, de fato, mas o mérito de desafiar sua própria zona de conforto soa muito melhor do que qualquer repetição de fórmula poderia soar. Ouça o álbum.

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Nota do crítico (Bom)
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