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Entre Irmãs

Entre Irmãs
 Entre Irmãs
(Regular)

Drama

  • Estreia: 12 de Outubro de 2017
  • País / Ano de Produção: Brasil / 2017
  • Duração: 160 min.

Entre irmãs - Crítica

Breno Silveira entregaria um ótimo longa se soubesse escolher melhor a hora de colocar pontos finais

Depois de uma incursão positiva ao sertão pernambucano em Gonzaga: De Pai Para Filho, o diretor Breno Silveira retornou ao cenário para contar a história de Lindalva e Emília no seu novo filme, Entre Irmãs. O longa se passa na década de 1930 e é uma adaptação do livro A Costureira e o Cangaceiro, de Frances de Pontes Peebles. A trama acompanha as jornadas distintas de duas jovens irmãs que, após serem separadas pelo destino, precisam encarar sozinhas adversidades de realidades completamente diferentes. Ainda que o filme entregue duas histórias emocionantes ao longo de quase três horas, decepciona ao apostar em conclusões desnecessárias.

Luzia e Emília são vividas, respectivamente, por Nanda Costa e Marjorie Estiano e as duas atrizes - como habitual - fazem um ótimo trabalho. Ambas personagens são detentoras de espíritos livres, ainda que cada uma busque isso de forma diferente: Luzia tem uma natureza mais selvagem e justiceira, enquanto Emília é romântica e sonhadora. O filme mostra um pouco da infância das duas e da ingenuidade dos primeiros anos da vida adulta, mas a história começa de fato quando elas são separadas. Luzia é inserida na clandestinidade do cangaço ao ser raptada por Carcará (Julio Machado) e Emília sai da seca do sertão para se tornar uma dama da alta sociedade recifense quando casa com Degas (Rômulo Estrela).

O filme é ancorado na lógica do destino, de que há um conjunto de eventos inevitáveis pelo qual cada um deverá passar em sua jornada individual. Luzia é apresentada a conceitos diferentes de justiça e de liberdade, aprendendo o peso do dever, enquanto Emília vê seus sonhos desmoronarem perante a realidade e aprende que o amor é algo complexo e aberto a infinitas possibilidades. Aliás, falando em amor: em tempos de discussão sobre a absurda patologização da comunidade LGBT, a relação secreta de Degas com Felipe (Gabriel Stauffer) mostra como reações coercivas e intolerantes a casais não heteronormativos deveriam ser algo comum somente em narrativas ambientadas há quase um século, não nos dias de hoje.

Há vários momentos que se prolongam além do necessário. O didatismo do encerramento do affair entre Emília e Lindalva (Letícia Colin), por exemplo, é decepcionante e, mais que isso, é desnecessária. O arco não precisava ir além da cena que representa o clímax entre as duas: a experiência vivida por elas poderia ser encarada como conclusiva na vida de Emilia. Contudo, o filme opta por uma narrativa mais tradicional, com um final completamente fechado. Não é nem de longe a decisão mais acertada - o último diálogo que marca a história delas é ruim e fica a impressão que o longa desperdiçou a oportunidade de fechar bem um arco simplesmente por não saber a hora de parar.

Isso não acontece só nesse exemplo - é algo recorrente e que acaba contaminando o grande final do filme. O longa alimenta durante suas longas três horas a expectativa pelo que acontecerá quando as trajetórias paralelas de Emilia e Luzia voltarem a se cruzar, mas acaba se perdendo ao optar por continuar contando a história além disso. O filme deixa escapar um ótimo encerramento para a trama ao sentir a necessidade de dar conclusões clássicas para as duas personagens, transformando uma história emocionante em uma narrativa coroada por clichês.

A impressão final é a de que o filme funcionaria muito melhor como uma minissérie da Globo (o que provavelmente acontecerá, levando em conta o histórico do diretor). Há claramente um esforço para tornar mais sólidas as conclusões de todos os arcos, algo comum em novelas - é preciso de um nascimento, uma morte, um casamento, uma viagem ou algum evento grandioso do tipo para dar legitimidade aos pontos finais. Entre Irmãs não é ruim, a história é interessante e tanto Marjorie Estiano quanto Nanda Costa se reafirmam como ótimas atrizes. O problema é que ele não soa como um filme: para isso, Breno Silveira precisava ter ousado um pouquinho mais ao invés de se submeter a um modelo narrativo mais engessado para fazer do seu projeto algo mais palatável para certa parcela do público.

"A impressão final é a de que o filme funcionaria muito melhor como uma minissérie da Globo (o que provavelmente acontecerá, levando em conta o histórico do diretor)." E aí acaba todo o ânimo de ver esse filme - pra quê pagar quando, mais tarde, se pode ver de graça. :/

É um bom filme... até a página 3 pq é só mais uma história desinteressante que ninguém pediu. No Brasil devem existir umas 100 duplas sertanejas que teriam histórias para virar filme tanto quanto e de forma alguma eu acho que precisem. Um filme sobre a infância do Zezé de Camargo deve ser tão instigadora quanto a infância do Faustão, e cá entre nós, podemos passar uma vida inteira sem conhecê-la. Ta faltando no cinema nacional contarem histórias boas de verdade.

Mas funciona numa média bem maior do que aqui, o que humilha ainda mais o nosso cenário se contar que a estrutura e recursos que temos aqui é melhor. Posso tranquilamente citar de cabeça uns 10 filmes argentinos nos últimos anos que são mais fora da casinha do que aquilo que fazemos aqui, conseguem variar muito mais em questão de gênero. Até pq se eu te pedir filmes nacionais ótimos de suspense, terror, ficção científica, policial, mistério, thriller, policial, e variados, duvido que consiga me dar exemplos (no plural). Ou seja, é o cinema nacional de sempre, de nicho, e que em raríssimas exceções pisa fora do quadradinho dele, mas que no geral é só tão desinteressante quanto esse da crítica.

O cinema argentino tbm tem muita porcaria. O q chega pra nós é o q funcionou. Não se iluda. Abraços.

Sim, acertou, cinema brasileiro de qualidade acima do normal é Cidade de Deus e Tropa de Elite, de resto, tem filmes bonzinhos para se ver uma vez ou outra, como Que Horas Ela Volta, Central do Brasil, Carandiru, e... acho que só. A grande maioria dos "grandes filmes nacionais" são só de nicho, ou são chatos pra caralh# mesmo, cheios de histórias desinteressantes, narrativa lenta, fotografia e produção precária. Me mostra um filme nacional de suspense tão bom quanto "O Segredo dos seus Olhos", ou tão interessante e bem produzido quanto "Relatos Selvagens". Difícil né?

Se vc já começa descartando filmes como Amarelo Manga e Som ao Redor, realmente fica difícil fazer uma lista, q provavelmente só teria algo como Cidade de Deus e Tropa de Elite. Aí o problema é teu gosto pelo gênero, não o diagnóstico de uma cinematografia inteira. Agora se vc gosta de filmes nacionais bem diversos, independentemente da recepção da crítica, teria q me dar razão.

Temos ótimos filmes, aí fazem aquela lista de 20 filmes nacionais imperdíveis, e se saem 2 ou 3 filmes ótimos, é muito. Em geral o cinema nacional é chato e desinteressante, os que ganham grandes investimentos costumam ser ideias bobas e os que parecem promissores não ganham investimento, o que decai o valor do produto. E não me venha com Amarelo Manga ou O Som ao Redor como exemplo de ótimos filmes, por favor.

O problema não é achar ESTE filme ruim. É achar q ele representa TODO o cinema brasileiro, como vc mencionou no primeiro comentário. Temos filmes ótimos, alguns razoáveis e vários ruins. Como em qualquer país, inclusive nos EUA.

Feri seus sentimentos com verdades, desculpa. É realmente um filme fora da curva que não só se destaca mundialmente como revolucionou o cinema brasileiro, todos os que não são acostumados a gostarem de filmes nacionais vão mudar de opinião após ver mais esse clássico cult dois mil e dezessentista.

"Temas rurais".. Pô, grande parte do país ainda é rural, pq não pode ter filme com "tema rural"? E não venha me falar q "só tem filme assim".

E um idiota sendo idiota. Passo.

acontece que na hora que eu li o texto estava errado, se referiam à personagem da Nanda Costa como Lindalva (quando na verdade o nome era Luzia), felizmente já foi corrigido, ou seja, o próprio site reconheceu o erro e a minha capacidade analítica continua em alta, ao contrário da sua

Exatamente, um filme que não serve só para enaltecer as virtudes dos retratados, mas tece um recorte de um período histórico e social...

verdade, confesso que eu nunca vi o filme por preconceito. Mas acredito que seja um destaque do cinema nacional, pois ja vi varias críticas positivas.

faltou comentar a falta de brilhantismo da geração globo de diretores.

o site não tem culpa se vc não tem capacidade analítica suficiente para ler uma crítica

Verdade, eu não suporto sertanejo mas adoro o filme. "Camargo-Camarguinho. Camargo-Camarguinho."

A confusão entre as personagens Lindalva e Luzia, por outro lado, compromete o entendimento de quem lê esta crítica, ainda mais se não viu o filme. Tive que pesquisar no Google pra saber qual era a irmã e qual era a amante da Emília... As críticas do Omelete já foram melhores!

só de ter a majorie este ano

Concordo, o filme sofre um preconceito totalmente injusto.

Oh, saudades de uma época que o Brasil teve lampejos de criatividade... Tantos livros bons pra se torna filme, e eles insistem em temas rurais, ricos emergentes e gays engraçadinhos...

É uma pena

Dois Filhos de Francisco é um bom filme, a galera pega no pé por causa dos músicos retratados, e se esquece que como filme tem suas qualidades.

Diretor de dois filhos de Francisco é currículo suficiente para nem passar perto de algo assim

Tem cara de ser bem ruim mesmo.

É o cinema brasileiro sendo cinema brasileiro. Passo.

"seria melhor se fosse da Globo" Putz, se pra ser tem q ser da Globo então deve ser um porcaria mesmo

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